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Galeria Transparente

 

Curadoria Frederico Dalton
2015

Sobre o trabalho de Ana Biolchini

Por Frederico Dalton

Do alto do belvedere do Agora contemplamos um enorme conjunto de mausoléus. Lá jazem a crença de que a Terra era o centro do universo, a fé na racionalidade como fonte de sabedoria, o futuro do “País do Futuro” e várias outras representações do amanhã. Algumas são ingênuas e idealistas, outras nada mais que ideologias. E há também aquelas que são escapes sinceros da condição humana. Um desses jazigos está aberto. E ele é tão pessoal que transcende às classificações convencionais de “grande” e “pequeno”. Nele vemos apenas um rosto. E talvez nem seja o rosto de alguém que morreu (depois de presenciarmos tantos finais trágicos, logo confundimos um mero descanso com a morte): pode ser um sobrevivente. Possivelmente alguém que apenas se deitou com os mortos para aprender com eles: o que equivaleria a querer injetar na veia coleções inteiras de museus, todos os livros que já foram escritos e todo o banal esquecido pela vaidade das pessoas. Quem sabe alguém que se finge de morto para se proteger de novas invasões bárbaras (já que a primeira lição que se aprende com a efemeridade das culturas é a continuidade da violência)... Ou alguém que espontaneamente se transforma em monumento de si mesmo para abrigar os novos futuros, também condenados a deixar de existir. E aproveitando que está deitada, esta pessoa repousa. E porque está em repouso é que paradoxalmente permite que sementes de desejo germinem dentro dela.

About the work of Ana Biolchini

By Frederico Dalton

From the top of the belvedere of the present a huge set of mausoleums can be contemplated. There lies the belief that the Earth was the center of the universe, the faith in rationality as a source of wisdom, the future of the "Country of the Future" and several other representations of tomorrow.  Some are naive and idealistic; others are nothing more than ideologies. Besides them, there are some that are sincere escapes from the human condition. One of these graves is open. And it seems so personal that it transcends the conventional "big" and "small" classifications. We only see a face there. And it may not even be the face of someone who died (after witnessing so many tragic endings, we confuse a mere rest with death): he/she may be a survivor. Possibly someone who just lay down with the dead to learn from them: as if wanting to inject into their veins whole museum collections, all the books that have been written and all those banal things forgotten by the vanity of people.  Maybe someone who pretends to be dead to protect himself/herself from next Barbarian invasions (since the first lesson learned from the ephemerality of cultures is the continuity of violence) ... Or someone who spontaneously becomes their own monument in order to host new futures, equally condemned to ceasing to exist. And taking advantage of the fact that he/she is lying down, this person rests. And because the person is resting, he/she paradoxically allows the seeds of desire to germinate within.

Em 2016, o projeto Galeria Transparente também percorreu o SESC Festival de Inverno, em Nova Friburgo, e o Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio.

In 2016, the project Galeria Transparente was also a part of SESC Winter Festival, in Nova Friburgo, and Centro Cultural da Justiça Federal, in Rio.