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II TRIO Bienal

Curadoria: Alexandre Murucci
17.12.17 - 07.02.18

VESTIR O MUNDO

Por Alexandre Murucci

"Vestir o mundo, vestir anseios, vestir compromissos, vestir os elementos essenciais de nossa existência, de nossa relação com o mundo, com um planeta em conflito, em perigo, em urgências que nos exige um posicionamento perante responsabilidades diárias.

Ao escolher “Vestir o Mundo” como tema 2a TRIO Bienal, nossa proposta foi enfocar nossa relação com o planeta, de forma holística, porém como ato político de afirmação de liberdades individuais e coletivas.

Para abordar tema tão vasto, tomamos como estrutura, 3 tópicos relacionados a forças da natureza, tanto no que se refere aos seus elementos quanto a seus valores simbólicos:

“Ar”- Representando a cultura, o saber a história e nosso zelo pelo passado. A herança do humano;
“Água”- Que representa as forças atávicas da natureza, nosso compromisso com o futuro, e;
“Terra” – Que representa o espírito, a força telúrica que rege o presente, em todas as formas anímicas elementares da natureza.

De posse destes conceitos, nossas escolhas juntos aos artistas foi de buscar em suas obras uma narrativa que pudesse dar luz as essas emergências que o planeta nos conclama.

“AR”

Por conta de um momento histórico grave e delicado que o mundo atravessa, onde liberdades individuais, de crença, gênero, identidades e valores essenciais são atacados tanto institucionalmente como nos novos âmbitos da expressão privada, hoje autônoma, volátil, insurgível, e muitas vezes incontrolável com a consolidação da civilização digital, tomamos o Brasil, suas utopias e distopias como figura de abordagem destes valores, certos de termos talvez uma resposta às questões que ora conflitam o mundo, diante de nossa história diferenciada, miscigenada e a partir daí, experiências de diversas culturas que conosco dialogam. E como dinâmica montamos vários altares de expressão, cada um com um foco em seus direitos universais.

Estes altares estão divididos em duas vertentes: O Sagrado e o Corpo – onde dimensões do ser e de pertencimentos pontuam o discurso da mostra.

Assim sendo, no que intitulamos “o sagrado”, um percurso filosófico-étnico-emocional foi instaurado a partir da grande instalação fotográfica de Margo Margot (BR) que apresenta deuses da matriz africana que são parte de nossa formação como nação, finalizada por um altar onde peças de espaços religiosos de religiões afro-brasileiras, ultrajadas em acontecimentos recentes, foram resgatadas e restauradas com utilizando simbologias orientas no que tange objetos sagrados, onde as partes coladas são pintadas em ouro, em respeito a imantação de vivências que estes objetos carregam.

 

DRESS THE WORLD

By Alexandre Murucci

"To dress the world, to wear longings, to wear commitments, to wear the essential elements o four existence, our relationship with the world, to a planet in conflict, in danger, in urgencies that demands a positioning before daily responsibilities.

In choosing “Dressing the World”as theme of the 2nd TRIO Biennial, our proposal was to focus our relationship with the planet, in a holistic way but as a political act of affirming individual and collective liberties.

To address such a vast subject, we take as structure, 3 topics related to the forces of nature, both in terms of their elements and their symbolic values:

“Air”- Representing culture, knowledge, history and our zeal for the past. The inheritance of the human;
“Water”- Which representes the atavistic forces of nature, our commitment to the future, and;
“Earth”- Which representes the spirt, the telluric force that governs the presente, in all the elemental animistic forms of nature.

Given these concepts, our choices together with the artists was to seek in their works a narrative that could give light to the emergencies that the planet calls us.

“AIR”

Because of the grave and delicate historical moment in the world, where individual freedoms, beliefs, gender, essential identities and values ate attacked both institutionally and in the new spheres of private expression., now autonomous, volatile, insurgente, and ofter uncontrollable with the consolidation of digital civilization, we take Brazil, its utopias and dystopias as a figure of approach to these values, certain that out conflicts reverberate a similar state of affairs in other cultures.

In doing so, too, we return to our claim to have perhaps na answer to the questions that now conflict the world, in the face o four differentiated, miscegenated and anthropopahic history, which has turned pains and difficulties into creative options and forms of conviviality, at times, rough, are still a possibility of welcoming visiono f society and from there, experiences of diverse cultures that with us dialogue. And as dynamic we set up several altars of expression., each with a focus on universal rights.

These altars are divided into two strands: The Sacred and the Body – where dimensions of being and belongings punctuate the discourse of the show.

Thus, in what we call “the sacred”, a philosophical-ethno-emotional journey has been established from the great photographic installation of Margo Margot (BR) that presentes deities of the African matrix that are part of our formation as a nation, finished by a altar where pieces of religious spaces of Afro-Brazilian religions, outraged at recent events, were rescued and restored using oriental symbologies regarding sacred objects, where the glued parts are painted in gold, with respect to the magnetization of experiences that theses objects carry.

A seu lado outra bela instalação da artista Ana Biolchini (BR), que mostra o senso de reinvindicação, de luta, de protagonismo do povo quando se propõe a opção pelo coletivo. Centralizando a questão, um grande quadro do artista Edmilson Nunes (BR), nos traz um Jesus carnavalizante, aberto, inclusivo e alegre que transmite um ato libertário de igualdade nas várias formas do sagrado! Pontuando ao seu lado, uma linda roupa de Porta-Bandeira da Império Serrano, nos apresenta o encontro entre a cultura popular e a alta-cultura, no esplendor de um objeto maestro da festa máxima que a miscigenação brindou a cultura brasileira.

Brindados pelo coração-gaiola da Christina Oiticica (BR), que paira sobre o grande foyer, temos o trabalho onipresente de Nelson Leirner (BR) que resume o que séculos de sincretismo e verdades tropicais nos deram como concepção de nação. Porém, não podemos abrir mão de nossas mazelas, e a mesma riqueza do ouro barroco, apresentada na elegia de João Magalhães (BR), se posiciona lado a lado com a crítica histórica de Ivan Grilo (BR), ao mostrar a intercessão do caminho Real da exploração aurífera, com a tragédia do Rio Doce, num cruzamento histórico da expropriação de nossas riquezas.

Este sentimento de opressão se apresenta na obra de Alexandre Dacosta (BR), e a redenção sobre manuseio de nossas heranças, em certo termo pode ser vista no cálice sagrado de Tunga (BR), nos brinda numa liturgia onírica.

A partir daí o espaço sagrado dá lugar ao altar do corpo, tendo a obra de Andre Sheik (BR), uma bússola freudiana, como primeiro e o casal cibernético-retrô de Brada Tepi (BR), que fala do corpo contemporâneo. A obra da artista indiana Pooza Katarina (IN), em seguida, traz um totem revestido de pulseiras matrimoniais, encerrando a roupa de quando foi molestada, incidente recorrente em tantas culturas que atravessam os tempos impondo às mulheres dramas existenciais e perenes.

Ao seu lado, o muxarabi gráfico do arista Ivan Enquin (AR), fala da opressão das mulheres em tantas culturas, aqui, como manifesto libertário que se completa nas mulheres empoderadas da instalação feita de colchões de motel usados, pela artista Lígia Teixeira (BR), com seu boudoir pole dance, e seguimos até a questão de gênero, no trabalho do artista alemão Christina Fuchs (AL), que reencarna seus antepassados, em fluidez de gênero, numa performance mimética impressionante."

Beside her another beautiful installation by the artist Ana Biolchini (BR), which shows the sense of the claim, struggle and protagonism of the people when it is proposed the option for the collective. Centralizing the issue, a great painting by the artist Edmilson Nunes (BR) brings us a carnavalizing, open, inclusive and joyful  Jesus who conveys a libertarian act of equality in the various forms of the sacred! Punctuating at his side, a beautiful outfit of the Flag-bearer of the Serrano Empire, presentes us the encounter between popular culture and high-culture, in the splendor of na object máster of the maximum feast that the miscegenation offered Brazilian culture.

Tacked by Christina Oiticica’s heart-cage, which looms over the great foyer, we have the omnipresent work of Nelson Leirner (BR) that sums up what centuries of syncretism and tropical truths have given us as a conception of nation. However, we can not give up our ills, and the same richness of baroque gold, presented in the elegance of João Magalhães, stands side by side with the historical cristicism of Ivan Grilo (BR), showing that the intercession of the Way Real of the gold exploration, with the tragedy of the Rio Doce, in a historical crossing of expropriation o our riches.

This sense of oppression appears in the work of Alexandre Dacosta (BR), and the redemption of the handling o our inheritances, in a certain term can be seen in the sacred chalice of Tunga (BR), offers us in a dreamlike liturgy.

From there, the space of the sacred gives place to the altar of the body, having the work of André Sheik, a Freudian compass, and the cyber-retro couple, from Braga Tepi (BR), who talks about the contemporary body. The work Indian artist Pooza Kataria (IN), who then brings a totem lined with matrimonial bracelets wrapping clothes from when she was molested, recurrent incident in so many cultures that go through the times imposing on women the existential and perennial dramas.

At its side, the graphic muxarabi of the artist Ivan Enquin (AR), speaks of the oppression of women in so many cultures, here, as libertarian manifesto, which is completed in the empowered women of the installation made of motel mattresses used by the artist Lígia Teixeira (BR), with its boudoir pole dance, and we followed the gender issue in the work of the German artist Christian Fuchs (DE), who reincarnates his ancestors, in gender flow, in an impressive mimetic performance.

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Caminho da Palavra

168 objetos de argila com forma dos pés da artista, de aproximadamente 350 gramas/cada, pendurados por fio de nylon formando uma espiral ascendente aberta que vai do piso ao teto.

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Path of the Word

168 argil objects in the shape of the artist's feet, approximately 350 grams each, hung by nylon wire forming an open ascending spiral that goes from floor to ceiling.